Fundação Getulio Vargas

Escola de Administração de Empresas de São Paulo

Programa Gestão Pública e Cidadania

Ciclo de premiação de 2002

 

 

 

Planejamento Participativo Regional – EMATER-RS

 

 

 

 

 

Heitor Battaggia

 

 

 

– setembro de 2002 –


Introdução

O município de Morrinhos do Sul (RS), 200 km ao norte de Porto Alegre, localiza-se na encosta da serra gaúcha, próximo ao litoral e quase na fronteira com Santa Catarina. Pouco mais de 3.500 habitantes se espalham por uma área de 166 km2 e vivem, principalmente, do plantio de banana. Em Morrinhos do Sul há uma comunidade chamada Itajuvas, distante oito ou nove quilômetros da sede do município, morro acima. De lá, em dias claros, avista-se o mar e alguns trechos da praia de Torres. Vivem nesta localidade 36 famílias, espalhadas em casas bastante distantes umas das outras.

Depois de passar por várias plantações de banana, algumas roças de cana remanescentes da época em que os alambiques de cachaça eram a principal atividade econômica, e manchas de pasto e de mata atlântica, chegamos ao centro comunitário, próximo ao cemitério, à igreja – onde o padre reza uma missa mensal – e à escola, desativada tendo em vista a pequena quantidade de crianças em idade escolar (deslocadas para a sede do município). Num salão amplo, encontramos vários moradores da comunidade, no meio da tarde de uma quinta-feira. Dois técnicos da EMATER-RS apresentavam para um grupo de 20 moradores – homens e mulheres de idade avançada – a sistematização de uma reunião realizada anteriormente.

Através de técnicas de planejamento participativo, os moradores, com o apoio dos técnicos da EMATER, haviam preparado vários cartazes, agora expostos e ilustrando a reunião. O primeiro mostrava a história da localidade desde a chegada dos primeiros habitantes, ainda no século XIX; o segundo, um mapa elaborado pelos próprios moradores chamado de Leitura da Paisagem; a seguir, um cronograma das atividades diárias dos homens e das mulheres da localidade. Havia também uma estimativa da proporção que diferentes fontes têm para a composição da renda média das famílias e, por último, o levantamento das necessidades e a prioridade da ação do Estado e da própria comunidade. Aqueles agricultores haviam definido que as duas maiores carências da localidade eram um sistema de coleta e distribuição de água e um curso de agroecologia.

Em Itajuvas esta foi a segunda reunião, mas desde 2001 centenas de reuniões como essa já se realizaram pelo estado do Rio Grande do Sul, principalmente nos sessenta municípios que compõem a região administrativa de Porto Alegre da EMATER/RS[1] que se apóia nos princípios da agroecologia, e desenvolve importante parceria com o sistema de Orçamento Participativo adotado pelo governo estadual.

EMATER

A EMATER/RS é a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul. Sua missão é a promoção e a construção do desenvolvimento rural sustentável, com base nos princípios da Agroecologia, através de ações de assistência técnica e de extensão rural e mediante processos educativos e participativos, objetivando o fortalecimento da agricultura familiar e suas organizações, de modo a incentivar o pleno exercício da cidadania e a melhoria da qualidade de vida (EMATER).

Ainda de acordo com a própria EMATER, sua missão está orientada por cinco objetivos principais:

P       Sustentabilidade: Buscar um crescente apoio à conservação, à manutenção e ao manejo de agroecossistemas sustentáveis, de modo que, apesar das restrições ecológicas e das pressões sócio-econômicas, possam ser alcançados e mantidos níveis adequados de produção agrícola;

P       Estabilidade: Atuar de forma conjunta com os agricultores familiares e suas organizações, com o objetivo de integrar os recursos disponíveis localmente e outros que estejam ao alcance dos mesmos, com vistas a obter uma estabilidade na produção que seja compatível com as condições ambientais, econômicas e socioculturais predominantes;

P       Produtividade: Apoiar os agricultores familiares na seleção de tecnologias de produção capazes de reduzir riscos e otimizar o uso de recursos internos, de modo a alcançar, na totalidade dos sistemas agrícolas, níveis de produtividade compatíveis com a preservação do equilíbrio ecológico;

P       Eqüidade: Contribuir para a consolidação de estratégias associativas que fortaleçam os laços de solidariedade e que propiciem a justa distribuição do produto gerado nos agrossistemas, de modo que atenda requisitos de segurança alimentar e de geração de renda para todas as famílias envolvidas;

P       Qualidade de vida: Agir interativamente nas áreas econômica, sociocultural e ambiental, de forma a maximizar o emprego e gerar renda desconcentradamente, promovendo a defesa da biodiversidade e da diversidade cultural, o incremento da oferta de produtos “limpos”, a soberania alimentar e a qualidade de vida da população. (idem)

Para alcançar estes cinco objetivos, a EMATER/RS estabeleceu um conjunto de estratégias de ação que podem ser resumidas em:

a)     Incentivar o uso de metodologias participativas no diagnóstico e planejamento local, regional e estadual, valorizando a capacidade das famílias compartilharem e se assenhorearem de conhecimentos tradicionais;

b)     Incorporar uma compreensão holística aos processos socioeconômicos;

c)      Apoiar a formação de uma rede de agricultura familiar, envolvendo entes públicos e privados, respeitando as questões de gênero, as particularidades locais e regionais;

d)     Tomar o agrossistema como unidade básica de análise, planejamento e avaliação dos sistemas de produção agrícola, considerando-o como base do desenvolvimento rural sustentável;

e)     Apoiar a reforma agrária como um instrumento concreto de desenvolvimento rural sustentável;

A partir desses princípios e estratégias, a Região Administrativa de Porto Alegre da EMATER/RS adotou uma política de extensão rural que, além da tradicional função de assistência técnica aos produtores, incorporou uma ação de organização política e de planejamento comunitário, municipal e regional. A primeira grande mudança foi o abandono de uma ação de assistência técnica voltada exclusivamente para a geração de renda do agricultor familiar[2], e a incorporação ao seu trabalho do resgate de outros valores caros à tradição gaúcha e às bases de um desenvolvimento auto-sustentável no âmbito da pequena propriedade, quando possível, ou na ampliação desta sustentabilidade a círculos preferencialmente mais próximos da propriedade. Em outras palavras, a EMATER/RS busca prioritariamente desenvolver a sustentabilidade na pequena propriedade, a seguir, na vizinhança, no município e na região.

O orçamento total da EMATER/RS é da ordem de R$ 80 milhões anuais e é razoável afirmar que a Administração Regional de Porto Alegre seja responsável por R$ 10 a 12 milhões.

Agroecologia

A sustentabilidade é apoiada num conjunto de técnicas agrícolas, princípios econômicos e valores éticos e sociais articulados por uma disciplina chamada de Agroecologia. A Agroecologia sustenta-se, de acordo com Gerber, em seis dimensões:

Dimensão tecnológica: – Define o uso de técnicas de produção agrícola e pecuária que prescindem o uso de insumos tóxicos e daqueles cuja ação no ambiente seja duvidosa (organismos geneticamente modificados – OGMs). Busca a independência de insumos exógenos à propriedade priorizando os recursos locais como a matéria orgânica, massa verde e plantas adaptadas. Promove o controle de pragas e doenças pelo equilíbrio na nutrição vegetal e animal, via incremento da biodiversidade.

A dimensão tecnológica trata ainda das técnicas de industrialização e conservação de alimentos que garantam a qualidade sanitária necessária sem adição de elementos sintéticos em sua composição.

Dimensão ambiental: – Define as técnicas para conservação do solo, da água, da flora e da fauna, respeitando os preceitos da dimensão tecnológica.

Dimensão econômica: – A dimensão econômica se subdivide em dois itens: o primeiro trata da diversificação da produção e tem como objetivo a subsistência do núcleo familiar.

O segundo item trata da produção de bens de mercado, destinados para a comercialização e para a obtenção de renda. A Agroecologia submete essa apropriação de renda a um conjunto de princípios éticos e técnicos, entre eles destaca-se a manutenção da sustentabilidade da terra, o uso controlado de defensivos agrícolas e combustíveis de origem fóssil e a própria submissão e dependência do produtor ao mercado ao qual este produtor não tem nenhum controle ou ainda cuja influência seja muito pequena (caso dos mercados atomizados).

Ainda sob o ponto de vista da dimensão econômica, há o aspecto da soberania alimentar, tratada como decorrência do abastecimento alimentar e da não submissão do produtor ao mercado ao qual ele não tenha influência. A soberania alimentar é tratada, então, como o estabelecimento de mercados regionais, abastecimento local e “circuitos curtos de mercadorias”. Ganham importância para a soberania alimentar, a agroindústria familiar, o artesanato e o turismo regional, que se constituem em “reforço a busca da soberania alimentar e da consolidação da família rural como agente econômico importante para o município, região e Estado.”

Dimensão social: – A Agroecologia pressupõe uma distribuição justa dos bens e serviços, pelos diversos segmentos sociais. Busca também uma melhoria contínua das condições de vida mediante a produção e consumo de produtos limpos e a expansão, para o campo, dos serviços de saúde e educação além da melhoria de vida e aumento do conforto dos seres humanos.

De acordo com o autor citado, a Agroecologia faz uma veemente condenação do modelo de concentração urbana. “A idéia de que a aglomeração humana em centros urbanos facilitaria provê-la de recursos para atender suas necessidades mostrou-se equivocada, Conseguimos facilitar a disseminação de doenças, inverter valores sociais como solidariedade, honestidade e outros, aumentamos a discriminação e exclusão, a violência, a promiscuidade, … enfim, ecologicamente foi um grande equívoco. Por isso a necessidade de inverter a lógica do atual modelo de desenvolvimento, não concentrando a assistência para as áreas urbanas, mas estendendo-a às áreas rurais.”

Dimensão cultural: – A Agroecologia valoriza a tradição cultural – inclusive seu resgate, quando necessário – e sua adaptação às condições ambientais locais. Faz parte dessa valorização, o assenhoreamento por todos, das técnicas utilizadas para a implementação dos diferentes cultivares.

Ainda sob a perspectiva da dimensão cultural, o retorno dos jovens à propriedade rural é sempre valorizada, ainda que estes jovens desenvolvam outras atividades vinculadas à indústria ou aos serviços.

Dimensão política: – A Agroecologia valoriza a organização política, a participação das pessoas nos processos de decisão além da formação de grupos de defesa de interesses, quer para a solução de problemas locais, quer para o equacionamento de questões regionais ou estaduais.

O trabalho no campo

Uma das características marcantes do Rio Grande do Sul é a participação de sua população na vida política. Há muitos hipóteses que explicam essa participação: proximidade das fronteiras, história marcada por combates e guerras ou simples tradição européia trazida pelas grandes levas de imigrantes que se estabeleceram na região.  Qualquer que seja o motivo, a realidade mostra uma capacidade de articulação política e participação social não encontrada em outras regiões do país. Aproveitando esse ambiente cultural que possibilita a participação e reforçando essa característica regional, a EMATER desenvolve um trabalho de envolvimento das pessoas no processo de tomada de decisão e de planejamento das ações tomadas. Divididas em três níveis de atuação: comunitário, municipal e regional, as decisões são tomadas tentando envolver o maior número possível de pessoas.

O trabalho no campo é realizado em diversas etapas. A primeira delas é a organização da população na base de seus bairros, como a descrita no início deste trabalho. As decisões tomadas nessas reuniões comunitárias são levadas, através de representantes eleitos, para as reuniões municipais. Nas reuniões municipais, depois de se listar as prioridades de todas as pequenas reuniões dos bairros, são elaboradas as prioridades do município.

Estas prioridades são definidas utilizando-se técnicas de planejamento participativo em que têm destaque o resgate da história local, a rotina das atividades diárias e a leitura da paisagem[3]. Faz-se um diagnóstico da localidade, inclusive com a identificação das regiões homogêneas, e discute-se as formas de melhorar as condições de vida locais, estabelecendo-se uma lista de prioridades necessárias, as ações possíveis para implementá-las e os responsáveis pela sua implementação.

O passo seguinte deste processo é definir o planejamento regional. A Região Administrativa de Porto Alegre da EMATER se subdivide em outras áreas administrativas, que mantêm algum vínculo com as 23 regiões abrangidas pelos Conselhos Regionais de Desenvolvimento, que por sua vez consistem na base regional do sistema de orçamento participativo estadual.

O sistema de orçamento participativo estadual vincula as verbas alocadas às diferentes regiões à participação nas assembléias e plenárias que definem as prioridades. O orçamento participativo distribui somente verbas de investimento, nunca de custeio. O orçamento da educação é tratado de forma separada do restante do orçamento estadual tendo em vista que as verbas destinadas à educação são vinculadas e também porque o sistema educacional tem uma capacidade de mobilização para as assembléias muito superior a todos os outros segmentos sociais.

Realizadas as plenárias nos bairros, nos municípios e nas regiões, consistindo num amplo plano de desenvolvimento regional e de aplicação de recursos, o planejamento retorna para as cidades e também para as comunidades, explicando e justificando as decisões tomadas.

No 6º Encontro do Fórum Regional de Desenvolvimento Sustentável da Região Metropolitana e do Delta do Jacuí, envolvendo representantes dos municípios de Triunfo, Eldorado do Sul, Guaíba, Porto Alegre, Alvorada, Viamão, Gravataí, Cachoeirinha e Glorinha, realizado no Centro de Tradições Gaúchas do município de Glorinha, dois aspectos chamaram nossa atenção: primeiro, o fato de diversos produtores estarem participando. Não é normal, em outras regiões do país, encontrar tantos produtores reunidos numa quinta-feira pela manhã. Isso demonstra a importância que eles atribuem àquele encontro. O segundo aspecto que nos chamou a atenção no encontro foi a grande quantidade de grupos temáticos que se apresentavam no fórum. Estas diferentes comissões temáticas desenvolvem trabalhos com bastante autonomia, seguindo diretrizes gerais e reportando-se aos outros participantes nesses encontros regionais. Os grupos temáticos têm a tarefa de propor alternativas para problemas específicos e implementar as soluções decididas em conjunto.

Problemas enfrentados

 Apesar da EMATER desenvolver de forma privilegiada o trabalho de planejamento participativo, este processo não é exclusivo dela. O próprio processo de Orçamento Participativo Estadual, implantado pelo governo do Rio Grande do Sul desde 1999 envolve um conjunto de outras agências estaduais, inclusive uma voltada exclusivamente para este fim. A inserção da EMATER nesse processo mais geral de planejamento que ocorre em todo o estado acaba por estreitar os laços da empresa com a comunidade, mas também acaba servindo para a população de canal de reivindicação de ações estatais que nada ou muito pouco tem com a atividade de assistência e extensão rural. É natural, entretanto, que dada voz à população para reivindicar ou pressionar o poder público esta não fique restrita a um espaço pré-determinado de um tipo ou outro de ação, mesmo no Rio Grande do Sul que, como já reconhecemos acima, tem tradição de participação popular.

Em outra palavras, quando um órgão da administração pública organiza a população convidando-a para reuniões em que estarão definindo um tipo de ação ou investimento público, não há como restringir essas manifestações a uma ou outra área de governo. As reivindicações vêm de todos os lados e sobre todos os assuntos, inclusive com uma amplitude de temas que surpreende até mesmo a equipe da EMATER, que já esperava essa diversidade.

O Plano Municipal de Desenvolvimento Rural do Município de Taquara mostra essa diversidade (vide anexo 1). Somente os aspectos de infra-estrutura social tiveram 52 itens diferentes nominados e o que aparece com maior incidência de participação é a necessidade de instalação de telefonia rural fixa, com 12 ocorrências, seguido da necessidade de melhoria das estradas, com 10 ocorrências.

A transformação dessa diversidade em uma lista de prioridades é sempre complicada. O planejamento do município de Taquara mostra isso.

Para a área social, o planejamento do município definiu as seguintes prioridades:

1. Unidade móvel – saúde

2. Telefonia pública – instalação

3. Escolas municipais – melhorias nas instalações

A área de saúde, que encabeça a lista de prioridades, foi área que recebeu o maior número de solicitações e menções nos grupos comunitários (25) seguida pela área de telefonia, que recebeu 24 menções. Já a área de educação recebeu somente 8 solicitações e foi suplantada por outras como estradas, com 18 menções; segurança pública, com 12 menções; infra-estrutura, com 9 menções[4] e energia elétrica, com 8 menções, com grande concentração no problema da rede de energia trifásica.

Na área ambiental o planejamento de Taquara aponta as seguintes prioridades:

Área ambiental:

1. Água – rede de distribuição comunitária

2. Vetores e zoonoses (borrachudos, moscas e mosquitos)

3. Desmatamento – controle e reflorestamento

As três ações levantadas como prioritárias não refletem as menções feitas pelos moradores que elegeram o tratamento do lixo, com 8 menções, o controle de vetores e zoonoses, com 4 menções e, empatadas em último lugar, com três menções cada, a água, o saneamento básico e o desmatamento.

O mesmo ocorreu com os aspectos econômicos. As áreas mais solicitadas foram maior assistência técnica, com 16 menções; desenvolvimento da agroindústria, com 5 menções e, empatadas em 3º lugar, maior acesso ao crédito e melhorias para o setor leiteiro.

As prioridades da área econômica de Taquara foram:

1. Patrulha mecanizada[5] – ampliação

2. Agroindústria – implantação (conservas)

3. Inseminação artificial municipal – implantação.

Uma das características notáveis em todos os processos de planejamento que conhecemos é a preocupação com a questão da água. Sistemas de coleta e distribuição de água estão presentes em grande número de listas de prioridades, o que pode demonstrar um problema real em toda a região, mas também pode demonstrar uma preocupação dos técnicos da EMATER e do espaço institucional que a questão da água tem ocupado na agenda ecológica recente.

Conclusão

 A prática da democracia e os esforços para envolver a população na definição de seus próprios desígnios é uma tarefa sempre meritória, mas nem sempre simples. Confiança, crença na democracia, tradição, prática e tantas outras condições acabam tendo enorme peso no exercício democrático.

No caso do Rio Grande do Sul pudemos perceber um grande empenho da EMATER em canalizar os esforços de seu trabalho no sentido de estabelecer uma ação democrática. Isso é importante não só para realizar um trabalho de assistência e extensão rural mais vinculado às reais necessidades do público alvo, mas também para reforçar a idéia da própria democracia.

Outra característica que merece destaque é o fato de uma agência pública estatal desenvolver um trabalho que acaba pressionando e criando demandas para o próprio Estado. Neste caso, o Estado organiza demandas que na maioria das vezes são incapazes de encontrar canais de acesso ao poder público.

Ocorre, entretanto, que numa estrutura como a da EMATER, em que o trabalho está baseado num conjunto de pressupostos éticos e políticos, o corpo de técnicos apresente uma unidade ideológica bastante coesa, além de uma cultura institucional bastante forte. Essa cultura institucional acaba aparecendo de forma nítida na proposição de soluções para situações-problema apresentadas pela população atendida.

Em outras palavras, muitas vezes as soluções e prioridades aparentemente estabelecidas pelas comunidades atendidas são, na verdade, reflexo das posições que os próprios técnicos da EMATER têm sobre o problema. Além disso, a EMATER acaba assumindo papéis que não fazem parte de sua especialidade, como o curso de turismo rural desenvolvido para o município de Rolante, elaborado por engenheiros agrônomos, médicos veterinários e extensionistas da própria EMATER.

 

Bibliografia

EMATER/RS. – Conheça a EMATER/RS – Missão. http://www.emater.tche.br/ger al.php?menu=inst_conheca.inc. Acesso em 23 ago. 2002.

GERBER, Mário Luiz – Agroecologia. Documento digitado, elaborado para o III Seminário de Formação em Agroecologia, de 05 a 09 de agosto de 2002 em Santa Maria-RS. 6 pgs. s/data.

TAQUARA-RS – Plano Municipal de Desenvolvimento Rural 2000-2004. Documento digitado e  fotocopiado. Contém anexos, tabelas e fotos. 26 pags. s/data.

PROGRAMA ESTADUAL DE QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL – PLANFOR; EMATER Rio Grande do Sul – Turismo rural: relatório do curso realizado no período de 19/10 a 14/12/2000. Rolante, 2001. 60 p (qualificar RS).


Anexo 1 – Lista de manifestações do município de Taquara-RS por item.

 

Aspecto item / sub-item

Participações

 

 

 

 

Aspectos sociais / Infra-estrutura

132

 

 

 

A

Saúde pública

25

 

– Posto de saúde

9

 

– Melhorias no atendimento

1

 

– Unidade móvel / médico dentista

4

 

– Agentes de saúde

4

 

– Assistência médica e dentária

3

 

– Posto 24 horas

1

 

– Assistência social

1

 

– Ambulância

1

 

– Plantão médico em Padilha

1

 

 

 

B

Telefonia

24

 

– Instalação de telefone público

8

 

– Telefonia móvel não operante

4

 

– Instalação de telefonia rural fixa

12

 

 

 

C

Estradas

18

 

– Estradas gerais com manutenção precária

10

 

– Estradas vicinais/internas - melhorias

4

 

– Alargamento

1

 

– Asfalto

3

 

 

 

D

Segurança pública

12

 

– Melhorias na segurança pública

4

 

– Patrulhamento

4

 

– Posto policial

4

 

 

 

E

Infra-estrutura

9

 

– Infra-estrutura no loteamento Arco-Íris

1

 

– Calçamento

1

 

– Melhoria nos pontilhões

1

 

– Construção de praças

1

 

– Centros de lazer

2

 

– Reforma na sociedade Coromisto

1

 

– Sinalização indicando as localidades

1

 

– Implantação laboratórios ciências e Informática - EMEL

1

 

 

 

F

Energia elétrica

8

 

– Instalação de rede trifásica

4

 

– Fornecimento (trifásico) melhorias

1

 

– Instalação de iluminação pública

2

 

– Troca de transformador de luz

1

 

 

 

 

 

 

G

Educação pública

7

 

– Escola municipal

3

 

– Implantação de 2º Grau Agroecológico

1

 

– Ensino médio EMEL / Informática

2

 

– Aula noturna para jovens e adultos

1

 

 

 

H

Associativismo

7

 

– Criar associações de moradores

4

 

– Criar associações agrícolas

1

 

– CTG

1

 

– Incentivo à organização

1

 

 

 

I

Infra-estrutura social

5

 

– Construção barracão para festas

1

 

– Campo de futebol/construção

2

 

– Igreja

2

 

 

 

J

Ônibus interior

5

 

– Melhores horários de ônibus

3

 

– Transporte escolar gratuito

1

 

– Linha de ônibus 15 dias

1

 

 

 

L

Atenção

4

 

– Maior atenção por parte das autoridades municipais para agricultura familiar

3

 

– Mais esporte para a juventude

1

 

 

 

M

Capacitação

3

 

– Cursos profissionalizantes: culinária, bordado, agroindústria, etc–

3

 

 

 

N

Correios

2

 

– Instalação de posto de correios

2

 

 

 

O

IPTU

1

 

– Reavaliar

1

 

 

 

P

Capela mortuária

1

 

– Construção

1

 

 

 

Q

Creche

1

 

– Instalação de creche

1

 

 

 

 

Aspecto item / sub-item

Participações

 

 

 

 

Aspectos ambientais

21

 

 

 

A

Lixo

8

 

– Implantação de lixeira coletiva

1

 

– Coleta de lixo 1 x por semana

3

 

– Coleta seletiva - reciclagem

1

 

– Coleta de lixo 1 x por mês

3

 

 

 

B

Vetores e zoonoses

4

 

– Borrachudo / controle

1

 

– Moscas

1

 

– Mosquito

2

 

 

 

C

Água

3

 

– Poço de água comunitária

1

 

– Construção de poço artesiano

2

 

 

 

D

Saneamento básico

3

 

– Instalação sanitária

1

 

– Esgoto

2

 

 

 

E

Desmatamento

3

 

– Derrubada de mata nativa

1

 

– Erosão

1

 

– Assoreamento dos rios

1

 

 

 

 

 

 

 

Aspecto item / sub-item

Participações

 

 

 

 

Aspectos econômicos

47

 

 

 

A

Assistência técnica

16

 

– Faltam técnicos EMATER - agrícola

2

 

– Prefeitura - área agrícola

3

 

– Patrulha mecanizada

7

 

– Círculo de máquinas

1

 

– Inseminação artificial c/ auxílio da prefeitura

2

 

– Reunião com técnicos nas localidades

1

 

 

 

B

Agroindústria

5

 

– Conserva de pepinos

2

 

– Pães e cucas

2

 

– Leite e derivados

1

 

 

 

C

Preços dos produtos

4

 

– Montar um padrão de preços

4

 

 

 

D

Crédito

5

 

– Acesso ao crédito

3

 

– Seguro agrícola

1

 

– Proagro/seguro

1

 

 

 

E

Melhoramento no setor leiteiro

5

 

– Usina de beneficiamento

1

 

– Melhoramentos para o setor

4

 

 

 

 

 

 

F

Turismo rural

3

 

– Incentivo ao desenvolvimento de projetos

2

 

– Parque aquático

1

 

 

 

G

Comércio para produção local

2

 

– Implantar uma feira de produtos coloniais

1

 

– Comércio para os produtos

1

 

 

 

H

Reflorestamento

1

 

– Implantação de mata para comércio

1

 

 

 

I

Mão de obra / Serviços

2

 

– Mão de obra

1

 

– Prestadores de serviços as localidades (cabeleireiros)

1

 

 

 

J

Alternativas para juventude

2

 

 

 

L

Fomentar vinda de indústrias

2

 


Anexo 2 – Programa de visitas

Data

Local

Atividade

Participantes

14/08

Sede da EMATER/RS

Reunião com técnicos da EMATER/RS. Exposição do sistema de trabalho da empresa

Décio Cotrim

Mário L. Gerber

15/8

Centro de Tradições Gaúchas do município de Glorinha-RS

Reunião do Fórum Regional de Desenvolvimento Rural Sustentável da Região Metropolitana e Delta do Jacuí

Vários produtores, técnicos da EMATER, representantes do orçamento perticipativo do RS, políticos e representantes de municípios

 

15/8

Centro comunitário de Itajuvas – Morrinhos do Sul-RS

Restituição do diagnóstico rápido participativo da comunidade local

Vários moradores da localidade, técnicos da EMATER

16/8

Escritório regional da EMATER em Taquara-RS

Relato do processo de planejamento municipal de Taquara

Técnicos da EMATER e moradores de Taquara

16/8

Centro de convivência da Ilha dos Pescadores – Porto Alegre

Almoço com pescadores e apresentação do diagnóstico Participativo de Pesca Artesanal

Técnicos da EMATER e pescadores artesanais de Porto Alegre-RS

 



  O autor agradece as contribuições de Fernanda Teles de Lima e Sílvia Kawata, pesquisadoras atentas e perspicazes que o acompanharam na visita de campo.

[1] A EMATER/RS está organizada em 10 regiões administrativas com sedes nas cidades de Bagé, Caxias do Sul, Estrela, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Santa Rosa, Erechim e Ijuí

[2]  A EMATER privilegia o atendimento ao pequeno agricultor familiar.

[3] A leitura da paisagem é um exercício de reconhecimento da região em que habitam. Depois de visitarem vários pontos do município ou da região, os participantes elaboram um mapa que mostra as características geológicas e ambientais da região de interesse, sua adequação à atividade econômica, o local da residência das famílias e a atividade econômica exercida por estas famílias.

[4] A área de infra-estrutura, apesar de ter tido 9 menções, apresenta enorme dispersão de ações propostas, como se pode verificar no anexo 1.

[5] Patrulha mecanizada é o nome dado a um conjunto de máquinas e equipamentos agrícolas que o governo do estado compra e coloca a disposição dos agricultores de uma região. Os agricultores pagam uma pequena taxa de combustível por hora de máquina e devem decidir de forma conjunta qual a melhor forma de alocação do equipamento.